Em 1853, um jovem da Bavária chegou a San Francisco com alguns rolos de lona e um plano de vender barracas para os garimpeiros da Corrida do Ouro. Os garimpeiros não queriam barracas. Então ele mudou de rota: transformou a lona em calças, reforçou as costuras com rebites de cobre para que não rasgassem no trabalho pesado e passou a vendê-las.
Seu nome era Levi Strauss. Se você já se perguntou por que empreendedores do mundo inteiro ainda escolhem abrir uma empresa nos Estados Unidos, a história dele é um bom ponto de partida.
Quase metade da América foi construída por pessoas que não nasceram lá
O American Immigration Council acompanha quais das 500 maiores empresas dos EUA foram fundadas por imigrantes ou seus filhos. Em 2025, esse número chegou a um novo recorde: 46,2%, quase metade das maiores corporações do país.
Estão nessa lista nomes que você usa todo dia. Google (Sergey Brin, da Rússia). NVIDIA (Jensen Huang, de Taiwan). Stripe (Patrick e John Collison, de uma pequena cidade na Irlanda). SpaceX e Tesla (Elon Musk, da África do Sul). Yahoo, eBay, Duolingo, todas construídas por pessoas que não nasceram nos EUA.
Juntas, essas empresas empregam mais de 15 milhões de pessoas e geram uma receita que, se fosse o PIB de um país, seria o terceiro maior do mundo, ficando atrás apenas dos próprios EUA e da China.
Isso não aconteceu por acaso. Aconteceu porque os EUA construíram um ambiente onde esse tipo de coisa é possível, e continua sendo possível, geração após geração.
Por que os EUA ainda são o melhor país para abrir uma empresa
Uma parte é prática. Se você está captando venture capital, os investidores quase sempre vão pedir uma entidade americana, geralmente uma C-Corp em Delaware, antes de assinar qualquer cheque. Aceleradoras como Y Combinator e Techstars funcionam da mesma forma. Abrir uma empresa nos EUA não é só um passo legal; é o que dá acesso a todo um ecossistema que, de fora, permanece fechado.
Outra parte é escala. O mercado americano tem mais de 330 milhões de consumidores sob um único sistema legal, uma moeda e um idioma. Esse tipo de alcance, sem a complexidade de navegar por dezenas de regulações diferentes, é genuinamente raro.
E uma parte é algo mais difícil de quantificar: a densidade do ecossistema de startups. Os fundadores, investidores, operadores e mentores que já passaram por isso estão concentrados de uma forma que não existe em nenhum outro lugar na mesma escala. Essa rede tem valor real.
Para fundadores internacionais, abrir uma empresa americana também abre as portas para contas bancárias nos EUA, plataformas de pagamento globais como Stripe e PayPal, e contratos com clientes americanos que preferem trabalhar com entidades locais. Os benefícios práticos se somam rapidamente.
O que os dados dizem sobre as suas chances
A Stanford University estudou 500 unicórnios americanos e descobriu que 44% dos seus fundadores nasceram fora dos Estados Unidos. Mas o dado que mais interessa a fundadores globais não é sobre quem construiu essas empresas, mas sim sobre o que aconteceu quando startups estrangeiras se mudaram para os EUA.
Os pesquisadores chamam isso de efeito da relocalização:
- Startups israelenses que foram para os EUA tinham 9x mais chances de se tornarem unicórnios do que as que ficaram em Israel.
- Startups indianas que se relocaram tiveram uma vantagem de 6,5x.
- Startups britânicas que foram para os EUA tinham 2,5x mais chances de alcançar o status de unicórnio do que as que ficaram no Reino Unido.
Ir para os EUA não significa só ter um novo endereço, muda estatisticamente as suas chances. A combinação de acesso a capital, tamanho de mercado e densidade do ecossistema produz algo mensurável.
O boom empreendedor que não para
Você pode imaginar que, depois de 250 anos, o ritmo de criação de novos negócios nos EUA teria estagnado. Não estagneu.
Em 2023, mais empresas foram abertas nos Estados Unidos do que em qualquer outro ano da história, mais de 5,4 milhões. A pandemia, em vez de esfriar o empreendedorismo, parece ter acelerado. As pessoas repensaram o que queriam fazer, encontraram novas oportunidades no mercado e começaram a construir.
Para empreendedores internacionais, essa janela ainda está aberta. O ecossistema não está ficando sem espaço.
Como abrir uma empresa nos EUA sendo estrangeiro
Se você está pronto para dar esse passo, o processo é mais simples do que a maioria imagina, e você não precisa morar nos EUA para isso.
O caminho mais comum para empreendedores internacionais é abrir uma LLC ou C-Corp em um estado favorável aos negócios, como Delaware, Wyoming ou Flórida. A partir daí, você pode abrir uma conta bancária empresarial nos EUA, obter um EIN (Número de Identificação do Empregador) e começar a operar, tudo de forma remota.
→ Leia nosso guia completo sobre como abrir uma empresa nos EUA sendo estrangeiro
Levi Strauss não chegou com um plano perfeito. Chegou com alguns metros de tecido, uma leitura afinada do mercado e disposição para se adaptar. Mais de 250 anos depois, essa abordagem ainda funciona.
Perguntas frequentes
Um estrangeiro pode abrir uma empresa nos EUA? Sim. Não há exigência de cidadania ou residência para abrir uma LLC ou corporação nos Estados Unidos. Empreendedores internacionais podem constituir e ser proprietários de uma empresa americana totalmente de forma remota.
Qual é o melhor estado para abrir uma empresa nos EUA como não residente? Delaware é a escolha mais popular para startups que buscam venture capital, graças à sua legislação societária consolidada e à familiaridade dos investidores. Wyoming e Flórida são alternativas fortes para quem quer custos mais baixos e isenção de imposto de renda estadual.
Preciso me mudar para os EUA para administrar minha empresa? Não. Você pode abrir e operar uma empresa americana sem morar lá. Você vai precisar de um agente registrado no estado de constituição, mas o restante do processo, incluindo a abertura de conta bancária, pode ser feito remotamente.
Por que tantos empreendedores globais escolhem constituir empresa nos EUA? Acesso a capital, um grande mercado consumidor, forte proteção à propriedade intelectual e um ecossistema de startups sem igual em escala. Muitos investidores e aceleradoras também exigem uma entidade americana antes de trabalhar com uma empresa.
É caro abrir uma empresa nos EUA sendo estrangeiro? O custo depende do estado e da estrutura escolhida. A C-Corp em Delaware tende a ter taxas anuais mais altas; a LLC no Wyoming está entre as opções mais acessíveis. Plataformas como a Globalfy simplificam o processo e mantêm os custos transparentes.
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Fontes:
- American Immigration Council — Fortune 500 Companies Founded by Immigrants (2025)
- Stanford Venture Capital Initiative / Crunchbase — The Immigrant Edge (2025)
- U.S. Census Bureau — Business Formation Statistics
- Hillsdale College / Imprimis — Entrepreneurship in American History